Eu e a Débora conhecemo-nos há alguns anos e começamos a namorar em muito pouco tempo. Imediatamente (e seguindo um pouco o estereótipo da lésbica que começa logo a viver com a namorada) começamos a viver juntas e a partilhar tudo uma com a outra.
Vivemos uma relação real, frontal, onde ninguém esconde nada. Ambas sabemos que queremos ficar juntas, sempre juntas. Por vezes surgem problemas ou conflitos, mas sabemos também que desistir não é uma opção quando existe amor. Há dias em que só queremos ficar um pouco sozinhas, afastadas uma da outra, fazer as nossas coisas sem intromissões ou sugestões - mas por algumas horas, somente. E nunca, mas mesmo nunca, nos sentimos sozinhas no mundo.
Dito isto, e poupando o leitor de enorme relato lamechas da nossa relação, vamos ao que importa.
Eu sou professora de 1º ciclo, e o que mais gosto de fazer é mesmo dar aulas a crianças - algo que se tem revelado incrivelmente difícil em Portugal. Com a exceção dos centros de estudo que, de forma mais ou menos permanente, tentam arranjar professores para estágios não remunerados (que tenham todas e mais algumas competências e experiências), não há procura de professores de 1º ciclo (ou de qualquer outro ciclo).
A Débora é professora de Língua Portuguesa...variante brasileira! Nesta altura já devem ter percebido que eu sou portuguesa e a Débora é brasileira. Casamos há alguns meses, e por isso ela tem todos os direitos que qualquer português tem dentro de Portugal. Mas só em Portugal. No entanto ninguém contrata professores de Português em Portugal...muito menos quando esses professores falam português brasileiro. A Débora veio para Portugal para fazer um mestrado, e em 2011 terminou o mestrado "Português Língua Segunda / Língua Estrangeira" na Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
Como eu não conseguia trabalhar na minha área, e fora dela só me ofereciam trabalho semi-escravo (denominado "precário" por motivos de eufemismo), eu pensei "Não dá, aqui não dá mais.", e tive a conversa. A Débora, como eu já esperava, concordou imediatamente (não tivesse sido precisamente esse o objetivo dela ter tirado o mestrado que tirou). Tínhamos de ir embora, emigrar. Bom, para ela era emigrar outra vez...para mim era desistir do meu país para acreditar em mim.
Vivemos uma relação real, frontal, onde ninguém esconde nada. Ambas sabemos que queremos ficar juntas, sempre juntas. Por vezes surgem problemas ou conflitos, mas sabemos também que desistir não é uma opção quando existe amor. Há dias em que só queremos ficar um pouco sozinhas, afastadas uma da outra, fazer as nossas coisas sem intromissões ou sugestões - mas por algumas horas, somente. E nunca, mas mesmo nunca, nos sentimos sozinhas no mundo.
Dito isto, e poupando o leitor de enorme relato lamechas da nossa relação, vamos ao que importa.
Eu sou professora de 1º ciclo, e o que mais gosto de fazer é mesmo dar aulas a crianças - algo que se tem revelado incrivelmente difícil em Portugal. Com a exceção dos centros de estudo que, de forma mais ou menos permanente, tentam arranjar professores para estágios não remunerados (que tenham todas e mais algumas competências e experiências), não há procura de professores de 1º ciclo (ou de qualquer outro ciclo).
A Débora é professora de Língua Portuguesa...variante brasileira! Nesta altura já devem ter percebido que eu sou portuguesa e a Débora é brasileira. Casamos há alguns meses, e por isso ela tem todos os direitos que qualquer português tem dentro de Portugal. Mas só em Portugal. No entanto ninguém contrata professores de Português em Portugal...muito menos quando esses professores falam português brasileiro. A Débora veio para Portugal para fazer um mestrado, e em 2011 terminou o mestrado "Português Língua Segunda / Língua Estrangeira" na Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
Como eu não conseguia trabalhar na minha área, e fora dela só me ofereciam trabalho semi-escravo (denominado "precário" por motivos de eufemismo), eu pensei "Não dá, aqui não dá mais.", e tive a conversa. A Débora, como eu já esperava, concordou imediatamente (não tivesse sido precisamente esse o objetivo dela ter tirado o mestrado que tirou). Tínhamos de ir embora, emigrar. Bom, para ela era emigrar outra vez...para mim era desistir do meu país para acreditar em mim.
E começamos logo a fazer planos. Nenhum deles correu como esperávamos, e fomos adiando a nossa ida. "Ainda não era a altura certa" ou "Temos de passar o Natal cá, antes de irmos" ou ainda "Precisamos de juntar mais dinheiro", e íamos adiando, mês após mês, a nossa viagem, a nossa aventura. No meio de todos estes meses eu decidi inscrever-me no mesmo mestrado que a Débora tinha frequentado, e decidimos, depois de sabermos que eu tinha entrado, que iríamos embora no final do meu primeiro ano. O segundo ano do mestrado era um estágio a dar aulas de Português a estrangeiros, e eu podia perfeitamente estagiar com estrangeiros de outro país :P Inglaterra seria o destino. A cidade era ainda incerta. Por um lado queríamos Londres, mas por outro era tudo tão caro. Portugal estava a sufocar-nos e já não aguentávamos mais. Não podíamos passar mais não sei quanto tempo a juntar dinheiro. Um ano para juntar dinheiro e preparar tudo. E quantas coisas ainda havia para preparar! E aqui começou a nossa aventura burocrática :P um ano inteiro a tratar de papelada e do que é essencial. Neste blog irei descrever, ponto por ponto, tudo o que tivemos de fazer para lutar por nós. Para lutar por uma vida melhor e por uma esperança. Para finalmente acordarmos e deixarmos de sentir remorsos por querer mais. Por almejar ter dinheiro suficiente para não ver no dinheiro um tormento. Dinheiro suficiente para ter filhos. Para ter uma vida.
Saudações cordiais Mafalda
ResponderEliminarO meu nome é Artur Garcia e estou a tentar obter também o QTS. Sou QZP e ensino Inglês já há uns 17 anos e estou a ser lixado como tantos com estas politicas. Acho que vou recorrer aos serviços que indica no blog e ver se avanço.
Como é já conseguiu algo?
Com os melhores cumprimentos
Olá Artur,
EliminarO QTS, pelo menos no meu caso, foi relativamente fácil de obter. Mas eu tenho o curso de professora com tudo o que os ingleses querem (3 anos mais 1 ano de estágio). No seu caso, que licenciatura tirou? Fica claro que pode ensinar? A tradutora que eu indico no outro post é muito competente e já traduziu estes documentos várias vezes, com sucesso :).
Neste momento tenho tudo preparado para ir para Leeds no início de setembro (viagens e tudo!). Mas inicialmente vou fazer um estágio, só posteriormente é que pretendo dar aulas a crianças. Se pretende ir, inscreva-se nesta agência:
http://www.uteachrecruitment.com/page/index
Eles ligam mesmo, e conheço pelo menos uma pessoa que já conseguiu emprego (daqui) com esta agência.
Entretanto, para saber mais detalhes, veja também este blog:
http://daraulaseminglaterra.blogspot.pt/
É muito informativo e tem um fórum de professores (alguns já lá estão a dar aulas). Boa sorte com tudo!
Cumprimentos,
Mafalda P.